Nota: ribeirinhos do Tapajós que defendem suas terras contra Eletronorte são criminalizados

Publicado em 27 de outubro de 2010

Empresa ligada à estatal entrou nas terras da comunidade de Pimental, em Itaituba, PA, para fazer medições para as hidrelétricas do rio Tapajós. Expulsos pelos comunitários,  iniciaram um processo de criminalização da comunidade.

O Complexo Hidrelétrico do Tapajós, projeto do Programa de Aceleração do Crescimento, prevê a construção de cinco grandes hidrelétricas no rio. O projeto está em fase acelerada de estudos, o que é preocupante não somente porque a  população diretamente atingida não foi informada sobre o processo, mas porque já estão ocorrendo conflitos, causados pela invasão de empresas ligadas ao empreendimento hidrelétrico em terras de comunitários no município de Itaituba.

No último dia 12 de outubro, a comunidade de Pimental, pequeno povoamento isolado na região de Itaituba, foi tomada por técnicos da empresa “Ruraltecs” contratada pela Eletronorte. De repente e sem conversar com ninguém, começaram a fincar marcos, fazer medições e entrar em território dos moradores daquela comunidade.

Indagados pelos moradores o que faziam ali e com autorização de quem, os funcionários da empresa responderam que estavam seguindo ordens do Presidente da República, que decidira que ali seria construída uma grande hidrelétrica. Revoltada, a comunidade retirou os marcos e equipamentos e determinou a saída dos funcionários de suas terras. Estes registraram Boletins de Ocorrência em Itaituba

Se antes estes ribeirinhos e tantos outros moradores das margens do Tapajós enfrentavam os grileiros, que os empurravam rio adentro, agora é a Eletronorte que tenta empurrar o rio para dentro das comunidades, e, com setores pró-hidrelétricas, tentam transformar as vítimas em criminosos.

Frente a esta situação, ONG’s e movimentos sociais protocolam nesta quinta-feira, 28, uma nota no Ministério Público Federal, nas cidades de  Itaituba, Santarém, Altamira e Belém, em repúdio ao completo desrespeito com que as empresas Eletronorte e Ruraltecs invadiram a comunidade de Pimental, Itaituba, região oeste do Pará.

Segue abaixo a nota na íntegra:

NOTA DE REPÚDIO

Itaituba, 20 de outubro de 2010

Em solidariedade aos ribeirinhos da comunidade de Pimental

Nós, dos movimentos sociais, pastorais sociais, movimentos populares e todos aqueles que lutam em defesa da vida e dos direitos humanos, expressamos nossa indignação pelo fato ocorrido no ultimo dia 12 de outubro de 2010 na comunidade de Pimental, o desrespeito com que as empresas Eletronorte e Ruraltecs invadem a propriedade das pessoas, entram sem permissão e fazem suas demarcações sem se quer comunicar o povo, porém isso resultou em protesto dos moradores, cansados de serem repudiados pelas empresas, quebraram o marco de concreto instalado pela Eletronorte já algum tempo.

Denunciamos a forma como foram taxados pela imprensa e pelo vereador Luiz Fernando Sadeck dos Santos o popular “Peninha” que se diz representante do povo e julga seu povo de vândalos, da mesma forma fez o repórter Queiroz Filho da TV Tapajoara que usou da sua ignorância para tratar como vândalos pais de famílias, trabalhadores que trabalham dia e noite para o sustento de seus filhos, homens e mulheres que lutam por melhores condições de vida no meio em que vivem, essas famílias foram criminalizadas e desrespeitadas. Até que ponto isso vai chegar? Basta de violência, de criminalização. Onde estão nossos direitos?

O povo precisa saber em que pé está o projeto do Complexo Hidrelétrico no Tapajós e o que essas empresas querem? Não admitiremos que o governo federal e as grandes empresas privadas passem por cima de nossos direitos tratando-nos como criminosos e invadindo nossas terras para acabar com a nossa fonte de vida o RIO TAPAJÓS. Lutaremos e vamos continuar resistindo em defesa da vida e dos povos do rio tapajós.

Somos homens e mulheres que lutam em defesa de uma vida digna.

“Água e energia não são mercadorias!
Água e energia são pra soberania!
“Águas para vida não para Morte”

Assinam a Nota:

Comissão de Justiça e Paz dos Direitos Humanos de Itaituba;
Movimento Tapajós Vivo
CPT- Comissão Pastoral da Terra;
MAB- Movimento dos Atingidos por Barragens;
Pastoral da Juventude;
Comunidade do Pimental;
STTR de Itaituba;
MMCC- Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade;
Frente em Defesa da Amazônia;
Fórum da Amazônia Oriental – Rede FAOR;
Comitê Metropolitano do Movimento Xingu Vivo para Sempre – Belém/PA;
Movimento Xingu Vivo para Sempre;
Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes – APACC;
Associação de Defesa Etonambiental Kanindé;
Associação Internacional de Povos Ameaçados Brasil/USA ;
Justiça Global;
FASE Amazônia;
Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense;
Centro de Mídia Independente – Belém;
União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém – UES;
Federação das Associações de Moradores  e Organizações Comunitárias de Santarém – FAMCOS;
Pastoral da Mulher Marginalizada – Região Norte;
Casa Oito de Março;
Instituto Universidade Popular – UNIPOP;
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra– MST;
Consulta Popular;
DCE UFPA;
Sociedade Paraense de Defesa do Direitos Humanos – SDDH;
Instituto Amazônia Solidária e Sustentável – IAMAS;
Movimento Luta de Classes- MLC;
Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Limpeza Urbana no Estado do Pará – SINDLIMP-PA;
Alternativa para a Pequena Agricultura do Tocantins – APA-TO;
Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado do Pará – SINTSEP/PA;
Fórum Carajás;
Forum Social Amapá;
Movimento Nossa Casa deCultura- ArmaZen;
Associação para o Desenvolvimento Integrado e Sustentável – ADEIS;
Instituto Madeira Vivo – IMV;
Movimento Madeira Vivo;
Articulação de Mulheres do Amapá – AMA;
ASW – Ação Mundo Solidário;
Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais – ABONG / Regional Amazônia;
Conselho Indigenista Missionário – CIMI;
Rede Brasileira de Arteducadores – ABRA;
Mana-Mani Círculo Aberto de Comunicação, Educação e Cultura;
Comitê Dorothy

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