Trabalhadores paralisam Belo Monte; indígenas dão ultimato a Norte Energia

Cerca de dois mil trabalhadores cruzaram novamente os braços desde a manhã de sexta-feira (25), no canteiro Belo Monte, principal obra da construção da usina hidrelétrica na região de Altamira (PA).
Publicado em 25 de novembro de 2011

Quase dois mil trabalhadores cruzaram os braços nesta sexta, 25, por melhores condições de trabalho

Cerca de dois mil trabalhadores cruzaram novamente os braços desde a manhã de sexta-feira (25), no canteiro Belo Monte, principal obra da construção da usina hidrelétrica na região de Altamira (PA). O Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), responsável pelo empreendimento havia se comprometido a responder as 16 reivindicações dos trabalhadores ontem, dia 24. Esta é a segunda paralisação no mês de novembro.

Nenhum trabalhador será identificado nessa matéria.

“A única resposta que tivemos foi a demissão dos maranhenses“, comenta M., um dos trabalhadores. “E pra piorar, tivemos a notícia de que nem recesso de natal nós teremos”, explica. Segundo os operários, durante o processo de contratação, a empresa havia acordado a realizar não só a liberação no final do ano, como também permitir a “baixada” – retorno dos trabalhadores a suas casas de origem – de três em três meses. No entanto, ao chegarem no canteiro, o CCBM os informou de que a volta só aconteceria de seis em seis meses. Afora isso, desvios de função, assédio moral, más condições de trabalho e transporte, comida estragada e não-pagamento de horas extras estão entre as reclamações trabalhistas.

Insalubridade
“A água estava cinza”, relata N., “tanto que agora eles estão enchendo com galão de água mineral”. Segundo os trabalhadores, mais de 200 pessoas passaram mal por conta da água e do almoço estragado. “Também, eles colocam algum tipo de fermento ou salitre, pra gente comer pouco e ficar estufado”, conta J. A reportagem apurou que ontem havia ao menos cinco trabalhadores , do Sítio Pimental – outro canteiro da barragem – internados no Hospital Municipal de Altamira.

Não foi possível entrar na área dos alojamentos onde, segundo os trabalhadores, haviam pessoas doentes. Tanto imprensa quanto operários foram ameaçados: “quem entrar lá sofrerá as consequências”, disse um homem sem identificação.

“Foi difícil chamar vocês [da imprensa], mas dessa vez nós conseguimos”, explica A. “Na hora em que fomos usar o telefone que fica na área de lazer, as linhas foram cortadas. Conseguimos ir no Santo Antônio [comunidade a 500 metros da obra, onde há um orelhão] e ligar pra vocês [Movimento Xingu Vivo]“.

Sob pressão, a empresa se comprometeu a receber os trabalhadores e a pauta de reivindicações na segunda-feira (28). O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada (Sintrapav) garantiu que acompanhará o encontro.

Indígenas dão ultimato a Norte Energia

Enquanto ocorria a greve, os povos indígenas reunidos na Casa do Índio, em Altamira, deram um ultimato à concessionária Norte Energia, responsável pela barragem. “Estamos cansados de ser tratados como idiotas. As oitivas não aconteceram e
as condicionantes não estão sendo cumpridas”, denunciaram lideranças Xipaya, Xikrin, Juruna, Kuruaya, Arawete e Assurini durante reunião frustrada com a concessionária, Funai e Mistério Público Federal. Lideranças e guerreiros dos povos de todo o Médio Xingu devem chegar na Casa do Índio no decurso da semana. “Dessa vez não vamos ser enrolados”, ameaçou uma liderança xipaya.

Entenda
Durante reunião do Comitê Gestor da Funai, os indígenas haviam exigido, na última semana, que o presidente da Funai e da Norte Energia, além de Ibama, Incra e Norte Energia, além da presença do governo federal e órgãos de defesa – Ministérios Públicos Estadual e Federal e Defensoria Pública e Movimento Xingu Vivo Para Sempre participassem de uma reunião em Altamira marcada para sexta-feira (25), para discutir o não-cumprimento das condicionantes estabelecidas por Funai e Ibama para a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Comentários (15)

  • atnágoras |

    25/11/2011

    Comida estragada, 40 no hospital, semana passada 141 demitidos e escoltados pela polícia para evitar que fizessem queixa aos órgãos trabalhistas, Pára!

    “Parem esse desenvolvimento, que eu quero descer!”

    É muita arrogância diante de uma obra totalmente questionada quanto a sua viabilidade, pelos estragos que causará ao meio ambiente, aos povos do Xingú, a nossa Amazônia; Arrogância de quem? Da Dilma, da Andrade Gutierrez que, nunca é demais lembrar, doou R$ 5 Milhões pra campanha eleitoral da Presidente.

    Foram essa péssimas condições e desrespeitos que levaram às greves em várias obras do PAC, no início desse ano. Também foi contra tudo isso que estouraram as lutas dos trabalhadores nas obras do Mineirão, Maracanã e outros estádios da Copa.

    continua…

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  • Atnágoras |

    25/11/2011

    Vamos aproveitar a valiosa postura dos artistas globais que lançaram o vídeo contra a obra de Belo Monte; Vamos mostrar a unidade nacional dos operários da construção, unir a todos, montar uma representação nacional dos próprios operários e exigir melhores salários, dignidade, condições de trabalho e saúde, vamos pedir o apoio de todo os Brasileiros e Brasileiras; Chega!

    Greve em todas as obras!
    Aumento geral e Salário Igual para todos!
    Folga a cada 60 dias trabalhados!
    Nenhuma demissão!

    Atnágoras Lopes
    CSP-Conlutas

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  • Marcio Taavares |

    26/11/2011

    Estão sendo financiados por qual potência estrangeira?

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    • rafaela costa |

      04/12/2011

      Indiretamente por todo grupo do G8 e paises ermegente como China, India e é claro Brasil.
      A producao de energia gerada com esta futura hidreletrica está diretamente ligada com a industria de mineracao, fortemente representada na economia brasileira, esta coloca entao a materia prima no mercado internacional onde serao produzidos (nos denominados paises acima) produtos que virao abastecer nossa sede consumo, celulares, computadores, comestico etc.

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  • Nirsan Grillo |

    26/11/2011

    Estou perplexa com a falta de respeito para com os trabalhadores, com a desumanidade e com a usurpação de direitos desses trabalhadores. Onde estão os fiscais??? Onde está a mídia que não mostra isso???

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  • @gilda_miranda |

    26/11/2011

    Isso me lembra os garimpos (SERRA PELADA) e a IDADE DA BORRACHA nos seringais no início do séc XX. QUE VERGONHA!!!!!!!!!! Vergonha alheia…

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  • PAULA |

    27/11/2011

    COMO Q O GOVERNO PODE COMPARTILHAR COM UMA EMPRESA DESSA?

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    • A favor do Xingu |

      30/11/2011

      Compartilha pq com certeza esta ganhando,para depois guardar na cueca. Eita Brasil! nao tem vergonha mesmo este pais.Os valores do nosso Brasil eh dinheiro, money talk.

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  • alain viguier |

    27/11/2011

    Belo monte dans tout ces états, rien ne vas plu ! vive les peuples indigènes et le Xingu !!

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  • Wilsoleaks Alves |

    29/11/2011

    Quanta bobagem…

    "O trabalhador enfrenta longa fila pra bater o ponto"
    Então, o certo é não bater o ponto? Ou ficar sem o trabalho?

    "Havia muita poeira no trajeto de volta do trabalhador"
    Tá bom, vamos asfaltar tudo, hoje ainda. Aguarde aí sentado.

    "O Índio não foi ouvido"
    Qual índio não foi ouvido? Qual brasileiro é ouvido quando decisões precisam ser tomadas, sob pena de colapso social? O fato é que elegemos nossos governantes para que sejam nossas vozes.

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    • A favor do Xingu |

      30/11/2011

      Exatamente, para serem nossas vozes, mas penso que estamos elegendo pessoas com deficiencia, nao so fizica mais espirituais que nao conseguem ver a verdade e nem defende-la. O que vamos fazer??? Nos precisamos fazwer algo, nao so mandar emails e emaisl, e nada acontecer.Temos que apoiar quem esta indo e irmos tambem.

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    • Rodolfo |

      06/12/2011

      1- Colocar mais máquinas de ponto não seria melhor?
      2- Talvez ônibus com ar-condicionado não seria uma boa? Você mesmo preferiria se estivesse na mesma situação.
      3- Quanto drama. Nós temos vários canais que podemos utilizar para sermos ouvidos (plenário, acesso a gabinete de deputados, vereadores etc, imprensa, movimentos), só não utilizamos e/ou realmente não querem nos ouvir. Mas isso não é justificativa para baixar a cabeça e nos resignar.

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  • BRUNA |

    29/11/2011

    FICA SOMENTE A CERTEZA QUE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NÃO EXISTE, OU MELHOR, QUE OS MEIOS PARA ATINGI-LO ESTÃO REALMENTE DETURPADOS E DECADENTES…
    SÃO 20 ANOS DE ENROLAÇÃO, A RIO+20 ESTA AÍ NA BOCA DO GOL E VAMOS GASTAR NOVAMENTE NOSSOS DIAS E ENERGIA DEBATENDO CAMINHOS PARA CONCILIAR UM DESENVOLVIMENTO DESSE TIPO HIPÓCRITA À SUSTENTABILIDADE DE QUEM? QUEM ESTAMOS ENGANANDO? QUEM ESTÁ ENGANANDO QUEM?
    CHEGA!!!NÃO PODEMOS MAIS FECHAR OS OLHOS E NOS DEIXAR ENGANAR!

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  • trab. do canteiro |

    30/11/2011

    falta melhoria por parte da empresa "por ex: melhora as condiçoes dos trabalhadores no pagamento,trasmporte,e nos dislocamento dos funcionario para suas regidencia.
    ex;nas basada por conta da empresa e o resseço!!!……..

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  • Antonio vaz |

    08/12/2011

    Tenho um irmão daqui de Tucuruí que trabalha lá e me disse que algumas coisas melhoraram depois da greve , ele pegou folga de 13 dias para passar natal coma a gente. O problema é que a mídia joga tudo para empresa resolver o problema salarial do trabalhador. Tá certo que o salário não é lá essas coisas. Meu irmão diz que não dá para o colégio do Filho . Ora , quem tem que dar educação ,saúde e moradia digna é o govêrno e não a empresa. Não podemos errar o o foco .

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