Há 3 dias em greve, trabalhadores denunciam sindicato e mortes nas obras de Belo Monte

Na manhã deste sábado foi feito um bloqueio na estrada que dá acesso aos sítios. Operários foram ameaçados de demissão por participar de greve
Publicado em 31 de março de 2012

Sindicato tenta desmobilizar greve

Os operários da Usina Hidrelétrica Belo Monte continuam em greve por melhores condições de trabalho. As paralisações, que começaram na quarta-feira, 28, em apenas um canteiro, atingem neste sabado, 31, todas as unidades da obra. Segundo contagem dos trabalhadores, ao menos 80% dos 7 mil operários – novo número oficial informado pelo Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) – já aderiram a greve por melhores condições de trabalho. A morte de um operador de motosserra esta semana também teria contribuído para que se iniciasse o movimento grevista.

Na manhã deste sábado foi feito um bloqueio na estrada que dá acesso aos sítios. Apenas os ônibus que fazem o translado dos trabalhadores foram retidos.

“Estamos conscientizando os companheiros sobre o que está acontecendo aos poucos”, conta Fábio Kanan, armador do canteiro de obras Canais e Diques. “A gente explica que não existe baixada de seis meses em nenhum lugar, que não dá pra receber só mil reais por mês. O problema é que o sindicato não está do nosso lado, estamos isolados”, explica. Por conta disso, os trabalhadores lançaram, hoje, um abaixo-assinado para que o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada do Pará (Sintrapav), ligado à Força Sindical, não seja mais a entidade representativa da categoria.

Sindicato
Na quinta, 30, o sindicato tentou realizar uma reunião em praça pública com os trabalhadores, mas houve tumulto. “O presidente do sindicato disse que quem quer fazer greve é vagabundo, baderneiro”, relataram. Os trabalhadores também acusam o sindicato de não acompanhar e cobrar o cumprimento das pautas o acordo coletivo firmado no final do ano passado, e de não tentar reverter as demissões ocorridas nas greves anteriores.

Os trabalhadores temem pela estabilidade de seus empregos. “Nós fomos ameaçados de demissão. Os encarregados disseram que, se a gente fizesse greve, seríamos demitidos. Como já aconteceu“. Durante a greve, havia diversos funcionários de “farda azul” (cor do uniforme das chefias) filmando e fotografando ostensivamente os operários. Segundo os trabalhadores, o RH da empresa esteve reunido pela manhã, checando as fotografias e vídeos registrados durante as manifestações, para identificar as lideranças do movimento.

Pauta
Segundo o documento redigido à mão pelos grevistas, as reivindicações são: equiparação salarial, redução do intervalo da baixada (visita à família, quando são de outras regiões) de seis para três meses, melhores na comida e água, o fim do desvio de função, baixada para ajudantes de produção (cargo mais baixo na hierarquia da obra), capacitação para funcionários, plano de saúde, aumento do cartão alimentação (hoje, em cerca de 90 reais), aumento de salário, pagamento de horas extras aos sábados, transporte digno, a “troca” do sindicato representativo e o direito à baixada para os trabalhadores que decidirem, por conta própria, morar fora dos canteiros de obras. No final do documento, uma observação: “não atendendo as reivindicações, mantém-se a paralização”.

Segurança
 A morte de um trabalhador na última semana também levou a questionamentos mais fortes sobre as condições de segurança nos canteiros de obra. De acordo com os operários, os problemas são graves e a morte do operador de motossera não foi um fato isolado. “Ja ocorreram outras mortes nas obras e ninguém ficou sabendo”, denuncia um dos trabalhadores do canteiro Belo Monte. “Eles [a empresa] mandam o corpo pra família, porque eles moram fora, e ninguém fica sabendo de nada. Eles abafam. Mas não conseguiram abafar agora porque o peão era de Altamira”.

Texto: Ruy Sposati
Fotos: Pierre André Le Leuch e Ruy Sposati

Comentários (8)

  • sonia |

    31/03/2012

    Realmente lamentável, essa amarração: governo, sindicato, barrageiros ( os novos barrageiros como disse um dia o presidente lula) para levar adiante essa obra absurda em todos os sentidos. E como se os efeitos sobre as populações locais já não fosse a violação que é, agora os abusos trabalhistas sobre pessoas que foram para Belo Monte em busa de melhores condições de vida no rastro da promessa do "progresso". De longe onde estou tudo que posso fazer é dizer alto da minha solidariede!

    Responder
  • agostinho netto |

    31/03/2012

    lamentavelmente essa situação vivida por esses trabalhadores muitos deles largaram suas familias em outros estados,em busca de um emprego melhor,para dar melhores condições de vida a seus familiares é tem que passar por essas humilhações,noossa bela altamira já não aguenta mais,só o que aumentou foi o numero de bandidos na cidade,a cada dia aumenta a criminalidade,é eu me pergunto até quando ficaremos refém;.;

    Responder
  • MARIO CAJUHY |

    01/04/2012

    ONDE SE ENCONTRA O MINISTÉRIO DO TRABALHO . . .? ? ?
    ONDE JÁ SE VIU REDUZIR SALÁRIOS . . ? ? . SALÁRIOS SOMENTE SE AUMENTA .
    SINDICATO CORRUPTO DEVE SER AFASTADO NA MARRA .
    MEU TOTAL APOIO AOS CIDADÃOS EM GREVE NA OBRA CRIMINOSA DE BELO MONTE .

    Responder
  • jose lazaro freitas da cruz |

    01/04/2012

    desejo toda perseverença consciencia de suas condiçoes de vida vos e suas familias que mantenhao a uniao que nao desistao sao milhoes que mesmo de longe mais atentos e solidariedade esta obra da destruçao que vos sao obrigados a trabalha e que vos trabalhadores e moradores de altamira o que deixarao para seus filhos 0 que inpedem de ver que estao nos destruindo que este grandes enpreendimentos que destroi rios matas comunidades ilhas senhoras a violencia a fome eo abandono nao sao culpas da naturesa dos moradores das florestas a culpa sao dos politicos e governos o que nos vai tira da condiçao de miseria fome violencia e entender que somos parte de um povo pobre marginalizado excluido usurpado e levantarmos a cabeça e começarmos coloca o que queremos uma vida com mais dignidade paz slidariedade mutualistas coletiva trabalho para a vida moradia para o descanço lazer e viver e se alimenta da terra en armonia com ela estou com vos em suas conquistas sim greve muda o sindicato e uniao e de todos trabalhadores todos gritamos nao belo monte e sim a vida educaçao saude moradia saneamento lazer cultura trinta bilhoes de vozes belo monte nao ate as ultimas comsequencias sim xingu vivo para sempre (olha o pao de arroz)

    Responder
  • samantha |

    01/04/2012

    Pessoal, temos que divulgar este link, estas informações que são ocultadas pela mídia e pelos nossos governantes.
    Belo Monte é um esquema beeemmm pensado. Mas podemos reverter, precisamos resistir.
    DIVULGUEM!

    Responder
  • kusseyn |

    01/04/2012

    Deveria reunir em mesa redonda Sindicato, Empresa e lideranças dos funcionários, essas pessoas indicadas pela maioria da categoria. Para poder definir o todas as condições e melhorias para os trabalhadores. Porem deve-se dar um basta para essas ONG's estrangeiras que atrapalham o desenvolvimento do nosso país. Destruíram a o meio ambiente dos seus países e hoje ficam atrapalhando nosso Brasil que hoje esta em desenvolvimento e os brasileiros estão vivendo melhor.

    Responder
  • Claudio Lopes |

    02/04/2012

    Não acho correto que um pequeno número de trabalhadores feche uma estrada para impedir a passagem da grande maioria que quer trabalhar. Se a greve é um direito do trabalhador, ir trabalhar também é um direito que precisa ser respeitado. A adesão a uma greve deve escolha de cada um, e não uma imposição de arruaceiros que se dizem trabalhadores. Essa região tem taxas de desemprego altíssimas, e agora um grupo pequeno na obra está colaborando para que as pessoas de bem percam seus empregos. Outro absurdo, na minha opinião, é o fato de as forças policiais não impedirem o fechamento das estradas. É dever das forças de segurança permitir a livre circulação, o constitucional direito de ir e vir. A lei precisa valer para todos, e não apenas para defender um dos grupos.

    Responder
  • Márcio Oliveira |

    02/04/2012

    Concordo com o Claudio Lopes, que deu uma opinião bastante interessante acima. Se a greve é o desejo de tantos trabalhadores, como divulga o Xingu Vivo, pq é necessário fazer bloqueio na saída de Altamira para impedir que eles cheguem aos canteiros de obras? Eu posso apostar que 90% dos trabalhadores querem continuar trabalhando, e que uma minoria barulhenta vem fazendo manifestações para manter um dos canteiros de obras paralisado. Fica claro que isso é briga de sindicato, um querendo tomar o lugar do outro e ganhar milhões com os descontos mensais a cada pagamento dos trabalhadores. Xingu Vivo, lute contra Belo Monte. Mas não tome posições que prejudiquem aqueles que precisam trabalhar para ganhar o pão de cada dia!

    Responder

Faça seu comentário

Nome
*obrigatório
E-mail
*obrigatório
Website

Divulgue!