Pilotos de voadeira do Xingu ocupam Norte Energia por direitos

Publicado em 02 de julho de 2015
NOTA À SOCIEDADE DE ALTAMIRA E DO BRASIL – Cansados de terem, permanentemente, seus direitos fundamentais violados pela Norte Energia S.A. (NESA), empresa responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, proprietários e pilotos de barcos e voadeiras que navegam pelo rio Xingu resolveram ocupar ontem, 25, o escritório desta empresa. Em março deste ano, com o intermédio da Defensoria Pública da União (DPU), estes profissionais participaram de mais uma reunião com a NESA, nesta ficou definido que a construtora de Belo Monte analisaria, com urgência, as demandas dos barqueiros e apresentaria soluções imediatas.

Um mês depois a NESA, através de sua Diretoria Socioambiental, Superintendência do Meio Socioeconômico, enviou um documento a DPU (identificação CE096/2015-DS-SSE), argumentando que, mesmo com o barramento do rio Xingu e a formação do lago, esta categoria não terá a continuidade dos seus trabalhos prejudicada.
Conhecedores que são da sua profissão, saber tradicional apropriado a partir da práxis verificada no convívio familiar e na formação para o trabalho, experiência passada ha muitas décadas pelos antigos mestres aos seus filhos e netos, os barqueiros afirmam que os impactos identificados no Xingu já causaram alterações socioambientais e econômicas irreversíveis.
A grande alteração por que passa tanto o rio Xingu, quanto a população das ilhas e beiras de rio, já motivou o deslocamento de centenas de famílias para a zona urbana antes mesmo que a negociação de sua propriedade rural seja finalizada. A falta de peixe, a alteração na qualidade da água e mesmo a insegurança sobre o futuro, foram fatores determinantes para esta mudança antecipada, refletindo, logicamente, nos rendimentos dos barqueiros, que tinham a maioria destas famílias como clientes de seus serviços.
A NESA também informa no documento enviado à DPU que distribuiu, desde 2011, 345 embarcações às Terras Indígenas da região e mais 22 a indígenas ribeirinhos, totalizando 367 embarcações no período que vai do 1º semestre de 2011 até 2015. Este dado já indica outro grande impacto causado no trabalho dos proprietários e pilotos de barcos e voadeiras, cuja atividade tinha como importante demandante também os povos indígenas.
Foi pautado nestes e em diversos outros elementos que os barqueiros (como são popularmente conhecidos), fortemente impactados pelas alterações provocadas no rio Xingu, fruto da atuação da empresa Norte Energia S.A, decidiram ocupar a empresa e afirmam que de lá somente sairão quando suas reivindicações forem atendidas e a violação de seus direitos básicos deixarem de ocorrer.
 
Altamira, 26 de junho de 2015
ASSOCIAÇÃO DOS PROPRIETÁRIOS DE EMBARCAÇÕES DO PORTO DO PEPINO – APEPP
COOPERATIVA DOS PILOTOS DE BARCOS E VOADEIRAS DA VOLTA GRANDE DO XINGU – COOPBAVOX

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