Nota de protesto – Malditos sejam os que festejam Belo Monte

Que seja amaldiçoado este que vem para inaugurar a última turbina da usina. Que a dor da Volta Grande lhe tire o sono, o sossego, que arranque o riso de sua boca
Publicado em 26 de novembro de 2019
Onde antes corria o rio, pesacadores fazem escada para barco na Volta Grande do Xingu

A usina hidrelétrica de Belo Monte, licenciada no governo de Lula e construída no de Dilma Rousseff a um custo de quase 40 bilhões de reais, inaugura nesta quarta, 27 de novembro de 2019, a sua última turbina com a presença de Jair Bolsonaro.

É simbólico que justamente esta obra, que será lembrada para todo sempre como o grande erro da gestão petista, é a única herança que Bolsonaro honra e homenageia.

No momento em que o Xingu agoniza por falta d’água, Bolsonaro vem inaugurar a derradeira turbina de Belo Monte. No momento em que os peixes do Xingu são só pele e espinha porque não há mais alimentos no rio, Bolsonaro festeja Belo Monte. Quando a floresta tomba como nunca antes nos domínios de Belo Monte, quando apoiadores o homenageiam ateando fogo à mata, Bolsonaro vem para Altamira gozar a desgraça do povo beradeiro do Xingu.

Como denunciamos antes mesmo da primeira árvore ser derrubada pela Norte Energia, a usina não presta. Não gera a energia prometida porque o Xingu enche e míngua no ritmo da batida do seu coração, nos invernos e verões amazônicos. A pouca energia dessa usina é cara acima de todos os parâmetros. E sua estrutura é troncha, insegura e ameaçadora, como recentemente deixaram escapar seus próprios construtores.

Belo Monte, como previsto, está matando a Volta Grande do Xingu, e a cada turbina inaugurada, exige mais e mais água para si em detrimento da existência do rio e seu povo. Como pode uma mera obra de engenharia ter poder absoluto sobre a vida e a morte da bacia do Xingu? Como pode?

Des de Belo Monte, a violência tomou conta de Altamira. A crueldade tomou conta, a banalização da morte, a tristeza, a depressão, os desesperos tomaram conta. O Médio Xingu se tornou um caldo grosso e concentrado de dor, com a proliferação da maldade que vem do tráfico, dos desmatadores e seus pistoleiros, dos madeireiros ilegais, dos grileiros, dos incendiários. É isto que Bolsonaro vem festejar nesta quarta, 27 de novembro, em Belo Monte.

Malditos sejam! Que sejam amaldiçoados os que comemoram Belo Monte. Que seja amaldiçoado este que vem para inaugurar a última turbina da usina. Que a dor da Volta Grande lhe tire o sono, o sossego, que arranque o riso de sua boca! Que toda a violência contra o povo do Xingu lhe venha a doer um dia. Malditos sejam!

Quanto a nós, seguiremos honrando o rio e seus Encantados. Sairemos às ruas para festejar a chuva que cai, olharemos o sol quando se põe, e lembraremos que o que era, poderá ser de novo! Declaramos que nos negamos a morrer, a deixar o rio e sua gente morrer. O nosso coração carrega o Xingu, vivo para sempre.

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