#Xingu23: Manual de instrucoes Beta

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Quem vem para o Xingu +23 é um forte. Mas se você é um forte desacostumado com o norte brasileiro, vai precisar de cuidados – e este texto é para você.

Pra participar
Pra participar, você precisa se inscrever. Descubra se na sua cidade ou ou região existe um comitê de mobilização: através dele, você tem informações mais quentes sobre as caravanas que vem para cá. É de bom grado, também, contribuir na vaquinha virtual.

Estrutura
O encontro acontecerá numa comunidade parcialmente desapropriada pela concessionária Norte Energia, responsável pela construção da hidrelétrica de Belo Monte. Lá, terá acesso à água e eletricidade – traga benjamins, réguas, adaptadores e extensões conforme a necessidade -, mas não há sinal de internet ou telefone.

Mosquitos
Você estará na Amazônia. Prepare-se para um leque bastante diverso de insetos que te darão coceiras: formigas, muriçocas, carapanãs, maruins e, em especial, o pium – “‘único animal que não respeita nem comitiva presidencial”, escreveria o jornalista Fernando Morais. Traga repelente e também cremes, pomadas e antialérgicos para as eventuais crises.

O sol
Esqueça o arsenal de chocolates: tudo que é sólido se desmancha no ar tórrido equatorial da região de Altamira. O sol é dos mais fortes da face da terra e a área foi bastante desmatada, portanto, traga protetor solar e roupas leves – e considere que você irá lavá-las no rio. Traga um boné, chapéu-coco, chapéu de vaqueiro, chapéu de palha, boina, viseira, cartola… O que te apetecer mais e te proteger melhor. Se conseguir, traga também sombrinha ou guarda-sol.

Alimentação
A comida será feita por terceiros, mas considere que você poderá eventualmente integrar essa comissão. E também poderá, é claro, aventurar-se a cozinhar na lenha e sair a caçar ou pescar com alguém, se quiser.

Dormida
Traga mosquiteiro, rede e corda para amarrá-la (ou compre-os aqui) – as principais estruturas de dormir serão grandes barracões semi-abertos de madeira branca. Em caso de emergências, será possível dormir em residências da própria vila – em casos mais sérios, a pessoa será levada à Altamira. Traga uma coberta leve para usar à noite. Se preferir, traga barraca e colchonete.

Sobrevivendo
Considere que você terá pouco acesso ao comércio – na vila, há um pequeno bar, um pequeno restaurante e uma pequena venda. Algumas necessidades urgentes poderão ser encomendadas de Altamira, eventualmente – mas, a princípio, leve o que você irá precisar usar. Pasta e escova de dente, sabonete – de preferência, biodegradável -, um rolo de papel higiênico, remedinhos básicos, e por aí vai.

Traga chinelos – mas considere que uma aventura pela mata para pés delicados possa ser melhor se você estiver de botas impermeáveis. Camisas de manga cumprida podem ser úteis para evitar arranhões e picadas.

Sem gelo
O local tem eletricidade, mas poquíssimas geladeiras – considere, então, que irá consumir as bebidas em temperatura ambiente. Acostume-se com a ideia.

A água utilizada para consumo e cozinha será água de poços artesianos – no entanto, é sempre importante carregar consigo um frasco de hipoclorito de sódio. Traga também uma caneca não-descartável, uma cuia (vai passar em Belém? Compre uma daquelas de cabaça!)

Conselhos de avó
Por fim: evite trazer equipamentos valiosos desnecessários – se for trazer notebooks e câmeras, saiba que ficarão por tua conta. Prefira carregá-los sempre contigo, nas costas.

Chegando em Altamira
Se você vier de avião, chegará em Altamira. Pegue um taxi e vá para o escritório do Xingu Vivo – Travessa Lindolfo Aranha, 400 – Altos, esquina com a Rua Sete de Setembro, em frente ao Hotel Lisboa, centro da cidade. Lá, você será orientado sobre como chegar à comunidade Santo Antônio – se der sorte, poderá conseguir uma carona.

Se você vier de ônibus, poderá descer na rodoviária e fazer o mesmo percurso acima – ou poderá pedir ao motorista que desça 10 quilômetros depois da balsa de Anapu, na própria comunidade. Ela fica exatamente na beira da Transamazônica. Haverá sinalização.

Para quem aportar em Altamira em horários inapropriados, não se desespere. Do dia 10 ao dia 14, haverá um alojamento provisório no galpão do Xingu Vivo.

Questões de moral
O encontro não será fácil. Tenha paciência e seja cordial – ajude, não apenas cobrando. Não é verdade que somos financiados por ONGs e pelo capital transnacional que quer dominar a Amazônia, ou algum outro delírio conspiracionista – o encontro é financiado, inclusive, por você. Hay que endurecer, pero sin perder la ternura!

Sobre o encontro

Às portas da Rio +20 – e vinte e três anos depois da primeira vitória dos povos contra o projeto de barramento do rio em 1989, o histórico 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu -, acontecerá um encontro decisivo: o Xingu +23. Pescadores, ribeirinhos, pequenos agricultores, indígenas, movimentos sociais, acadêmicos, ativistas e defensores do Xingu estarão juntos em Altamira, a partir do dia 13 de junho, para decidir os próximos passos na luta contra a hidrelétrica mais polêmica do planeta. Pariticipe!

Como ajudar?

Você pode ajudar participando do encontro, procurando os comitês de mobilização, divulgando nas redes sociais e locais de vivência, e também contribuindo financeiramente para que o Xingu +23 aconteça
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